10 novembro 2013

L.

Ela foi um oásis na minha infância.

Numa época em que eu não tinha contato com praticamente ninguém. E vivia preso em minha casa e contra a minha vontade.

Com ela eu tinha alguém com quem conversar. Alguém com quem brincar. Era bom. Acho que ela foi o meu amor de infância. Mas um dia isso acabou. Voltei a ficar sozinho.

Mas o acaso a colocaria novamente em meu caminho. Mas não era mais a mesma coisa. Dez anos depois, nós havíamos mudado. Eu não era mais tão sozinho como eu era, apesar da solidão me seguir aonde quer que eu vá.

Ela parecia mais forte, não do tipo de força física, forte do jeito que não permitiria jamais que alguém passasse por cima dela. O tipo de mulher que jamais se renderia.

Mas as coisas mudam. A relação que tínhamos em nossa infância não voltou, e jamais voltará. E não adianta eu ficar pensando no que poderia ter sido. Isso não muda nada.