22 dezembro 2013

Família

Família é uma coisinha complicada.

A minha nem se fala.

Acho engraçado como um dos meus mais detestáveis tios pode ser uma das pessoas mais interessantes para se conversar sobre política.

Me surpreende que meu avô, com seus quase 87 anos, fale em não temer a morte, mas, que é preferível o suicídio a viver "preso" a uma cama.

Mas o que me entristece é ela.

Vivo com ela há 23 anos, e ela não me conhece. Nunca se preocupou em conhecer, nunca se preocupou em conversar comigo. Mas quando eu digo isso, ela fala "você saiu de dentro de mim" como se isso fosse a garantia de que eu sempre vou ser um livro aberto para ela.

"Você não serve pra nada!" é o que ela sempre diz. Pra ela eu sou sempre o inútil, o estorvo, o peso em sua vida, seu fardo, mas quando eu tento fazer algo para deixar de ser esse seu maldito fardo, ela diz que não é a vida que ela quer pra mim. Confesso, não a entendo nem um pouco, e, pra falar a verdade, nem quero entender. Já tentei amá-la várias vezes, mas tudo o que eu sinto por ela é desgosto, e tenho medo que, se eu tentar entendê-la, meu desgosto se transforme em pena. E não a nada que eu mais deteste em mim do que sentir pena.

O que me atormenta é que toda vez que eu brigo com ela eu penso em que motivos eu tenho para estar vivo, e não acho nenhum. Me pergunto qual o motivo disso. Será que minha vida é tão insossa assim pra eu não ter um único mísero motivo pra estar vivo? Me pergunto se algum dia me livrarei disso e poderei ser de fato feliz. Minha vida é pontuada de bons momentos, mas não é possível ser feliz com uma vida apenas pontuada de bons momentos.

Vida. Já não sei mais o que fazer de minha vida.