09 abril 2014

Falta de tato

Sinto meu coração comprimido.

Engraçado é que é por um motivo completamente idiota. Talvez seja porque eu sou idiota.

Começou com algo que parecia sem relevância. Uma brincadeira de "verdade ou desafio". Uma brincadeira que teria tudo para não ter relevância. Mas pra mim, acabou tendo mais do que devia.

Era um jogo que, pelas circunstâncias, eu não precisava falar verdade nenhuma. Na verdade, creio que não devia. Mas, eu tenho um sério problema em medir a seriedade da situação. Às vezes, levou tudo à sério demais. Às vezes não demonstro seriedade nenhuma. Bom, nem eu me entendo.

Me perguntam o que eu quero: se verdade ou desafio. Eu escolho verdade. Então vem a pergunta. Uma pergunta que me deixa sem ação, afinal, quem perguntou sabia a resposta. Penso no que falar. Resolvo que direi a verdade. Uma verdade que não é comum, uma verdade que ninguém diz por aí, assim. Mas, mesmo assim, eu disse. Pensei o que quem perguntou pensaria de mim se eu mentisse, visto que tal pessoa já sabia a resposta? Mas, então, eu percebi que, mais uma vez, eu levei tudo à sério demais.

Disse o que achei que devia dizer. A reação não me pareceu muito positiva. Não sei dizer se acreditaram ou não. Mas, me pareceu que, mesmo que o jogo tenha continuado, naquele momento, eu estraguei toda a diversão.

Depois eu fique pensando: "por quê?". Eu poderia ter falado qualquer merda, isso não teria nenhuma importância. Não teriam como comprovar a veracidade do fato. Mas, como dizem "palavra falada não volta à boca". Dizem-me para ficar calmo. Que isso não deve ser levado à sério, pois o jogo não era algo sério, mas, convenhamos, quem diria tal coisa em tal jogo se isso não fosse verdade? Mas, não é isso o que me aflige. O que me aflige é o que causou minha vontade de dizer a verdade no local errado e na hora errada.

Alguém que foi impedido de viver a própria vida, que foi impedido de conviver com outras pessoas, não deveria jamais tentar. Pois é óbvio que tal pessoa não vai saber agir, não vai saber o que falar, não vai saber se comportar, nem vai saber o que fazer. É claro que a vida de tal pessoa será uma coleção de inconvenientes. Que tal pessoa só fará merda toda vez que tentar. E que tal pessoa se sentirá mal cada vez que algo "ruim" acontecer.

Estou com uma vontade louca de me enterrar vivo, ou encher a minha boca com saliva suficiente para pode me afogar, mas, eu consigo me controlar. Já sobrevivi a situações piores, não vai ser isso que me vai me levar a uma atitude extrema, mas, mesmo assim, é inevitável pra mim não continuar pensando em tais ocasiões, de remoer isso à exaustão.

Me pergunto qual o motivo de eu ainda tentar. Talvez seja porque eu ainda tenho esperança de não ser assim. Esperança de que minha falta de tato, minha ingenuidade e minha insegurança sejam curadas.

Mas nem eu sei se podem ser curadas.