Conversávamos todo dia. Tudo o que eu queria era está mais próximo dela. Parecia que eu estava conseguindo. Aos poucos ela ia se abrindo para mim. Ela era importante para mim, e eu achava que eu era importante para ela.
Não demorou para eu perceber que o que eu sentia era mais intenso. Eu estava apaixonado pela quinta vez em dezenove anos. Praticamente, um amor para quatro anos de vida. Até eu acho que isso foi demais. Mesmo assim, eu disse a ela. E ela me disse não. Ela explicou os seus motivos, e eu fui, apesar do desapontamento, compreensivo. Ela disse que poderíamos continuar como amigos. Ela era tão especial que eu estava satisfeito com isso.
Eu compartilhei o meu mundo com ela. Coisas que ela também parecia gostar. Estava feliz por ela também gostar das coisas que eu gostava. Estava...
Até o dia em que nossas conversas deixaram de ser diárias e se tornaram semanais. E de semanais se tornaram mensais. E, em algum momento, nossas conversas passaram de mensais para inexistentes. Eu não entendia o motivo. Realmente não entendia. Eu vi, claro como o dia, que ela estava me evitando deliberadamente. Se afastando de mim. Me perguntava o que eu havia feito de errado. O que explicaria tal comportamento. Não consegui chegar a nenhuma conclusão plausível.
Lembro da última vez que eu a vi. Janeiro de 2013. Por causa de rezão extraordinárias, e, mesmo assim, quase por acaso. Nesse dia, nós vínhamos nos falando bem pouco. Depois disso, não a vi nenhuma outra vez. Tampouco falei novamente com ela.
Tudo ficou muito estranho quando ela, literalmente, sumiu do mapa. Todos os meios que eu tinha para contatá-la se tornaram inexistentes. Eu me perguntava o motivo. Não entendia nada do que estava acontecendo. O que era tudo aquilo?
Acabei deixando isso de lado, eu tinha outras coisas com o que me preocupar. Mas recentemente, finalmente, a verdade veio até mim....
Ela se casou. Se mudou para a Argentina. Parece até que já tem um filho. Eu não me importaria muito com isso, mas as circunstâncias torna este fato grave para mim:
Ela fez isso sem falar para ninguém.
"Ninguém" é exagero. Ela certamente disse para alguém. Mas, e isso ficou claro para mim, ela não disse isso para ninguém que eu conheço. Ela nem mesmo disse para aquela que ela chamou de melhor amiga uma certa vez, que acabou sabendo por terceiros. Perguntei a todos os amigos dela que eu conhecia. Ela não disse para nenhum deles, e os que souberam só descobriram por terceiros. Todos falaram que ela se afastou de todos eles.
Me pergunto o que leva uma pessoa a agir desse jeito. O que todos fizeram para que ela agisse de tal modo? O que justifica? Provavelmente jamais saberei a resposta, pois a garota que morava a poucas quadras de mim, agora está longe demais, e não tenho nenhum meio que obter essa resposta.