Eu sou um cabrito.
Nas palavras dela.
Que direito ela tem pra isso?
Eu não fiz nada para merecer tal "elogio", mas ela fez algo muito pior comigo. Muito. Pior.
Ela vem até mim. Me chama de cabrito. Me acusa de ter sumido e que sente saudades. Que direito ela tem pra isso?
Eu poderia ter feito tudo por ela. Dependia apenas dela. Mas ela fez o favor de me jogar no lixo.
Ela sabia do que eu sentia, mas, por certas questões, ela me pediu para esperar. Mas ela não poderia ter sido mais mentirosa.
Por ela, eu certamente teria que estar em meu leito de morte para que ela pudesse me dar um chance. E ela vem me dizer que sente saudades.
À merda com isso.
Me dói lembrar o quanto eu era devotado a ela esperando pela chance que ela disse que viria. Eu era o cachorrinho dela. Estava sempre ao lado dela. Tudo que eu desejava era atenção, e a chance que ela disse que viria. Mas ganhei em troca indelicadeza em vários momentos, e uma seção de tortura que atendiam pelos nomes de seus novos namorados.
Mas meu masoquismo teve um limite.
Me afastei. Teria me afastado muito mais se pudesse. Mas ela agora me procura. Diz que sente saudades. E eu quase engulo essa.
Quase.
Se ela soubesse o quanto me dói olhar para a cara dela, ela não inventaria de voltar a me mostrar a cara. Além disso, são outras circunstâncias. Não voltaria a cair em sua lábia nem se eu quisesse. Tenho um motivo para nunca mais ter um pensamento sobre ela.
Mesmo assim, me dói perceber o quão bem ela me conhece. Parece que sou transparente aos olhos dela, e ela é capaz de ver tudo em meu interior. Tudo, exceto tudo o que eu um dia senti por ela.
Por isso, fico em dúvida se devia falar na cara dela tudo que está entalado em minha garganta, ou se espero para ver até onde vai a obtusidade dela.
Agora ela me vem com frases moralistas sobre como eu poderia ser um ser humano melhor, e eu apenas imagino como é que ela pensa em me torturar dessa vez.