Muita coisa se modificou desde então.
As leitoras deste espaço, provavelmente, nem lembram mais que ele existe, mas, de certa forma, acho que prefiro assim.
Espaço este que começou com o incentivo justamente de sua primeira leitora. Alguém que se valia do mesmo artifício para escrever de si mesma. Para mim, uma garota doce, atenciosa. Várias vezes senti que ela tinha as palavras certas sempre que eu precisava, não que fossem palavras excepicionais, mas palavras simples e precisas. Palavras que acalmavam a mente, curavam feridas e anivam a alma. E esta última revela talvez com exatidão o que ela representava para mim. Por muito tempo eu a via como uma irmã. Alguém próximo. Alguém importante. Alguém que eu desejava proteger de todo mal para conservar a pureza que ela emanava aos meus olhos. Porém...
Não sei como nem lembro quando, as conversas cessaram. O que para mim era uma amizade forte, mesmo que distante, desvanesceu-se e a minha irmã hoje é uma pessoa que viveu e morreu no meu passado e que não vejo possibilidade de ressuscitar.
A segunda leitora deste espaço surgiu por conta de aproximação por um interesse em comum. A aproximação levou à descoberta de outros interesses em comum e então parecia ser possível falarmos sobre qualquer coisa. Ela me incentuvou a escrever mais do que apenas sobre mim, mas sobre coisas imateriais, personagens fictícios dos quais gostávamos, mas...
A aparente falta de tempo dos dois lados e a incompatibilidade na ocupação de espaço virtual acabou nos afastando. Apesar de não aparentar ser impossível retomar as antigas conversas, sinto que qualquer tentativa que eu faça nesse sentido será pouco natural. Irrelevante, talvez.
A terceira leitora deste espaço surgiu também por interesses em comum. Só que, nesse caso em específico, o interesse escalou para algo luxurioso. Paixão. Interesse um pelo outro. Conversas quentes. Sonhos mais quentes ainda. Entretanto...
A impossibilidade de se encurtar a distância que nos separa passou a cada dia a se tornar mais imperiosa, impiedosa e intransponível. As coversas, até então, quase diárias, se tornaram escassas, quase pendulares quando um sente a falta ou a necessidade de falar com o outro.
No fim, o que talvez tenha me afastado das duas últimas possa ser o fato que meus escritos se tornaram escasos, e me tenha faltado pretexto para iniciar uma nova conversa, mas hoje a minha falta de fé na humanidade não me permite acreditar que tal esforço valha a pena.