Me parece surreal que meu psicológico estaja tão comprometido que seja capaz de dilacerar o meu peito, no entanto, por mais que eu olhe e toque o meu peito e ele me pareça inteiro, meu corpo diz que minha angústia há muito se materializou dentro de mim e está lenta e gradativamente tragando tudo a sua volta para dentro do seu fosso de desespero.
Não parece haver solução. Não parece haver saída. Tudo o que eu faço me parece meramente um adiamento do inevitável. E o que seria mais inevitável do que a morte?
Não vejo sentido. Não vejo razão. Tudo o que me cerca não aparenta ter o mínimo de significado. Mesmo que havendo coisas que eu deseje fazer e produzir, a trilha do meu pensamento sempre chega ao mesmo ponto: "e daí?".
Se o destino inevitável de tudo que vive é a morte, qual seria então o sentido de viver?
Ela certamente diria que é "Deus". Para mim, porém, "Deus" nada mais é que uma conveniência humana. Uma conveniência que eu não correboro.
Outros diriam "ser feliz", "realizar os objetivos", "constituir família", "ser próspero", mas o que é tudo isso diante da morte?
Acredito que, de fato, uma vida plena seria aquela que não apenas viveu, mas que atingiu a plenitude de suas potencialidades. Porém o que fazer quando o mundo ao seu redor não lhe possibilita alcançar suas potencialidades?
Ela não ver. Ela não enxerga. Ela está tão imersa em ideologia que é incapaz de até mesmo ver a face da derrota estampada em minha cara. Ideologia, porém, que ela nem percebe que tem, afinal a ideologia está sempre nos outros. Ela certamente é responsável pela fragmentação do meu psicológico, mas ela não ver culpa em si, ela ver culpa em mim.
É inacreditável. É incompreensível. Eu não sei lidar com essa situação e quanto mais o tempo passa, mas me parece só haver uma única opção. Teria eu capacidade de caminhar a esta opção? Mas...
Ela não me ver. Ela não me exerga. E ela não me compreende. Ela me trata como se eu não fosse nada além que a materialização de todos os seus problemas ao mesmo tempo que demonstra em situações muito pontuais e muito isoladas uma preocupação com meu bem-estar que até seria bem-vinda caso o contexto não a tornasse repulsiva.
Na minha invisibilidade, aumenta a minha angústia. Ao aumentar a minha angústia, aumenta meu desespero. E ao aumentar meu desespero, agonizo pelo fim.