Em condições ideais de temperatura e pressão, aquele que começou a questionar "por que eu nasci?", poderá logo se questionar "por que eu ainda estou vivo?", terminando por questionar "por que eu ainda não me matei?".
É difícil para mim determinar o que me fez chegar a esse ponto. Inegável, talvez, seja o fato da minha incapacidade de lidar e resolver os problemas que se impõe diante mim, mas, quem sabe, tal incapacidade tenha nascido e desenvolvido por ser nutrida por uma total ausência de atenção e afeto.
Total? Acho que total seja exagero, mas os espasmos de atenção e afeto dedicados a mim não foram minimamente suficientes para que eu os utilizasse como apoio. E, sem encontrar outro meio de me apoiar, eu acabei por me tornar um indivíduo tosco, decadente e ignorável.
Não existe reset. Adoraria saber como eu seria diferente se as condições fossem diferentes. É inútil, irrelevante, mas atribuir culpa a terceiros é algo que me conforta, já que assumir uma parcela de responsabilidade, que eu nem mesmo sei onde está, seria dolorosamente excruciante.