Só depois de muito tempo eu vi como aquele Natal me foi
maldito.
Maldito porque descobri que te amava.
Mas eu não acreditava que aquele amor pudesse vingar. Afinal, com a relação que tínhamos, esse amor
não nos traria nenhuma paz com os constantes olhares dos “normais” afirmando
que isso seria imoral.
Mesmo assim, não consegui deixar de te amar. Mas eu pensava
que isso era impossível, e que, talvez, você me repudiaria por ter por ti esse
tipo de sentimento. Então, eu guardei isso dentro de mim.
Tentei te esquecer. Algumas vezes, quase consegui. Quase.
Porque quando tudo dava errado eu voltava a pensar em ti. E isso não me
agradava.
Mas, então, aconteceu. Você percebeu o que eu sentia. E,
para o meu contentamento, não me repudiou. Mas você já tinha alguém ao teu
lado, que, por ironia, tinha o meu mesmo nome. Mas você disse que teria me dado
uma chance se estivesse sozinha.
Eu não tinha esperança de ter uma chance com você. Mas isso
mudou quando soube que, sim, você estava sozinha.
Você se sentia mal. E eu fiz de tudo pra te consolar.
Você me prometeu uma chance, só me pediu para esperar. Ainda
era muito cedo para você. E eu esperei.
Eu estava decidido a esperar o tempo que fosse, mas, quando
você permitiu que alguém estivesse ao seu lado, esse alguém não era eu.
Me perguntava qual a razão dessa sua atitude. Não achei
resposta. A cada estação você tinha alguém diferente ao seu lado. Nenhum deles
era eu.
O amor, que senti por ti, com o tempo, se transformou em
raiva e desgosto. Não por você não ter me escolhido, mas pelo fato que você não
teve a decência de me dizer que não esperasse mais por ti. Se não fosse pelo
meu orgulho eu estaria te esperando até hoje, e vendo você feliz com outro.
Minha vontade era de romper todos os laços que me prendem a
ti. Infelizmente, alguns são impossíveis de romper. Então o que me resta fazer
é me afastar. O suficiente para você esquecer que eu existo.