28 fevereiro 2021

Governo - Pandemia - Ciência

Ela é sangue do meu sangue. Ainda assim, não poderia haver pessoa mais distinta de mim do que ela.

Na época em que o vampiro chegou ao poder no Brasil, ela acreditava que a culpa dos problemas era originária de um único partido político e comemorou ao ver na votação para o impeachment ao ver que tal partido estava sendo punido pela sua corrupção. Tal partido era a fonte de todos os males. Livrando-se dele, tudo iria melhorar. Certo?

CERTO?

Haha.

Em 2018 um retardado concorreu a presidência. E ela anunciou: "vou votar nesse cara porque ele vai corrigir o país e você vai votar nele também". Coerção. Estou acostumado com isso desde que eu nasci, mas agora eu tenho maturidade para dizer não. Tal resposta não foi bem aceita. Eu protestei. Como é que uma mulher negra é capaz de confiar que esse sujeitinho - racista, misógino, intolerante, acéfalo - pode ser bom para alguma coisa. Ela disse que não importava, ele iria corrigir a corrupção desse país. Certo?

CERTO?

Haha.

A tragédia ocorreu.

O retardado chegou ao poder. Começou a causar. E veio então a pandemia. Não há nada pior para um país no meio de uma crise sanitária que tenho no poder um governante que despreza da ciência. E eu... bem, eu sempre me considerei uma pessoa de ciência.

Eu sou preguiçoso demais para poder ser um cientista qualificado, e, por várias calamidades, meu cérebro dá preferência a certas drogas que me causa um alívio imediato. No entanto, sempre, desde a infância, eu gostei de saber, mesmo que eu não fosse muito competente em buscar as respostas. Mas, desde o começo da tragédia, eu estive atento. E, se tem uma coisa que eu dei a devida atenção foi não tomar nenhum medicamento que não tenha sido devidamente testado.

No entanto, ela não se preocupou muito com isso.

Custo a acreditar que uma mulher que trabalha com saúde, mesmo que seja apenas na parte administrativa, mas, ainda assim, possui amigos que trabalham diretamente na área médica, possa, de alguma maneira, acreditar que exista tratamento preventivo como a tragédia. E, não, não foi cloroquina. Foi ivermectina.

O mais interessante, no entanto, é que a própria fabricante desde medicamento divulgou que não há evidências que isso funcione contra a tragédia e que pessoas que estão tomando esta coisa sem acompanhamento estão desenvolvendo problemas hepáticos. Então eu decido avisá-la sobre isso.

Pode deixar. Foi apenas isso que recebi como resposta, no nítido tom de quem não se importava com a informação.

E o que me apavora é que eu não quero ser quem vai dizer eu avisei.